Entendendo o que é
investir em ações

Para uma empresa crescer e melhorar sua posição no mercado, será preciso investir em algumas coisas como por exemplo:

PRODUÇÃO

· área física

· máquinas e equipamentos

· empregados

· matéria prima / insumos

 

 
PESQUISA & DESENVOLVIMENTO
MARKETING & PROPAGANDA

Como a empresa vai financiar isso se não tiver recursos próprios suficientes?...  A empresa pode:

· Tomar empréstimos de bancos

· Emitir e vender debêntures

· Abrir ou aumentar seu capital, emitindo e vendendo novas ações, aumentando assim o número de seus sócios

Vamos entender melhor estas alternativas:

· Empréstimos são dívidas que terão de ser pagas ao longo do tempo com juros muitas vezes altos.

· Debêntures são títulos de dívida de médio e longo prazos emitidos por empresas. Aqueles que compram estes títulos têm direito de crédito contra a emissora com juros e rendimentos que podem ser fixos ou variáveis. Algumas debêntures também poderão ser futuramente convertidas em ações da empresa.

· Porém, ao abrir o seu capital ou aumentar o seu capital, emitindo novas ações no mercado, a propriedade da empresa é “fatiada” em novas cotas que serão vendidas àqueles que também querem ser sócios, aumentando o capital e o patrimônio da empresa, sem que esta contraia dívidas.

Em uma Oferta Pública Inicial (IPO) ou Primária, estas novas ações são oferecidas à população. Pedidos de reserva destas ações podem ser feitos pelas pessoas através de uma instituição financeira, como bancos, corretoras e distribuidoras de valores, nas quais estas pessoas tenham cadastro (os bancos não costumam divulgar muito essas ofertas — tendem a divulgar mais seus próprios produtos). Essa venda primária de ações gera dinheiro para a empresa investir em seu crescimento e competitividade, ou mesmo quitar suas dívidas.
 

A empresa cresce
e o número de seus sócios também


 
A Bolsa de Valores permite que as ações adquiridas na Oferta Primária sejam agora negociadas, vendidas e compradas, no mercado secundário. É a Bolsa que dá liquidez às ações, garantindo a todos a possibilidade de converter suas ações novamente e rapidamente em dinheiro através de um único pregão que abrange o país todo. A Bolsa de Valores de São Paulo, BOVESPA, já faz alguns anos passou a envolver as demais bolsas de valores do país e unificar tudo em um único pregão. E desde setembro de 2005, o pregão eletrônico substituiu por completo as tradicionais negociações viva voz da Bovespa, envolvendo em um só “ambiente virtual” todos aqueles (brasileiros e estrangeiros) que investem em nossas empresas.

A grande maioria dos brasileiros desconhece o potencial de ganhos no mercado de ações, a chamada Renda Variável, e, naturalmente, as pessoas receiam aquilo que não conhecem. A maior parte da classe média brasileira investe em produtos de Renda Fixa dos bancos, como cadernetas de poupança, CDBs, fundos DI, ou talvez em fundos multimercado que atuam  apenas parcialmente em ações. 

Veja algumas ações que foram lançadas em ofertas públicas nos últimos 3 anos e a valorização aproximada das mesmas (dados calculados de forma aproximada em 12/12/2006):

AÇÕES DE EMPRESAS
(e o seu setor)

TEMPO APROXIMADO

VALORIZAÇÃO APROXIMADA

América Latina Logística (transportes)

2 anos

170% de valorização

Banco Nossa Caixa (banco)

1 ano

45% de valorização

Card Systems (cartões financeiros)

8 meses

-35% de desvalorização

Company (construção civil)

10 meses

20% de valorização

Cosan (açúcar/álcool)

1 ano

100% de valorização

Cyrella (construção civil)

1 ano e meio

370% de valorização

Data Sul (informática)

6 meses

14% de valorização

Diagnóstico das Américas (saúde)

2 anos

90% de valorização

Gafisa>(construção civil)

10 meses

25% de valorização

Gol Linhas Aéreas (transportes)

2 anos e meio

130% de valorização

Localiza (aluguel de automóveis)

1 ano e 7 meses

430% de valorização

Lupatech (peças metálicas)

7 meses

20% de valorização

Natura (cosméticos)

2 anos e meio

270% de valorização

Rossi Residencial (construção civil)

10 meses

7% de valorização

Submarino (vendas online)

1 ano e 9 meses

200% de valorização

Totus (informática)

10 meses

30% de valorização

UOL (provedor de internet)

1 ano

-45% de desvalorização

*os dados acima foram calculados de forma aproximada em 12/12/2006

Compare a rentabilidade de quem investiu nos lançamentos das ações acima (Renda Variável) com a rentabilidade de quem investiu na renda fixa abaixo:

(dados calculados de forma aproximada em 12/12/2006):

CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – cerca de 15,6% no ano de 2006

Valorização média acumulada dos Fundos de RENDA FIXA

em 1 ano (2006)

em 2 anos (2005 e 2006)

em 3 anos (2004, 2005 e 2006)

16%

38%

60%

*os dados acima foram calculados de forma aproximada em 12/12/2006 (com a inflação comportada, a taxa básica de juros e a remuneração da renda fixa vem caindo progressivamente já desde 2005)


A renda fixa é uma ótima opção para quem quer aplicar uma soma que vai precisar ou poderá precisar no curto ou médio prazo (planos de adquirir um imóvel, ou na emergência de desemprego temporário). Já ações de boas empresas (renda variável) não estão livres de oscilações imprevisíveis no curto prazo, mas no longo prazo oferecem potencial bem maior de valorização e remuneração do capital investido.

Quando Einstein foi questionado sobre qual seria a maior força no universo, sua resposta bem humurada foi: “Os juros compostos!”

Poucas pessoas tiram proveito dos juros compostos, fazendo com que estes trabalhem a seu favor, no crescimento do seu patrimônio. Na verdade, muitas deixam que os juros trabalhem constantemente contra o seu patrimônio, permitindo que os saldos de um ou mais cartões de crédito se acumulem, fazendo crediários ou ainda entrando repetidas vezes no cheque especial. Estão pagando juros, em vez de recebê-los.

Os anos 80 e início da década de 90 traumatizaram muitos de nós brasileiros que tivemos que conviver com hiperinflação e rodopios constantes de políticas econômicas. Nosso mercado de ações também era bastante restrito e pouco acessível para a maioria. Muita gente ainda evita esse tipo de investimento. Convenhamos que as informações eram bem menos disponíveis antes de surgirem os computadores pessoais e uma rede de conexão mundial.

Porém hoje, com internet e negociação on-line, as novas gerações estão investindo suas primeiras economias logo cedo no mercado de ações, em vez de apenas conservar seu capital em aplicações de renda fixa e menor potencial de rentabilidade.

Cada vez mais facilmente mais informações se tornam acessíveis para qualquer um com um computador. Sites de análises, de notícias, plataformas de negociação com corretagem fixa reduzida, bate-papos on-line sobre empresas e o mercado financeiro se proliferam constantemente, levando cada vez mais jovens brasileiros para um mercado onde os estrangeiros ainda ocupam um grande espaço (mais de 1/3 do volume financeiro negociado na Bovespa é proveniente de investidores estrangeiros!).

Já era hora mesmo de nós brasileiros nos livrarmos dos estereótipos que cercam a Bolsa de Valores. Veja que o grande temor da maioria ainda é algo como o crash de 1929!

Se a queda da Bolsa de 1929 durou 3 anos até começar a se recuperar, isso teve a ver com a pouca disponibilidade de informação na época. Poucos tinham consciência do valor justo das ações então. Havia muito tempo que as ações já estavam sendo negociadas a preços exorbitantes e insustentáveis pelos fundamentos das empresas e da economia. Daí veio o crash de 1929.

Anos depois, quando as ações se encontravam 'jogadas à sarjeta', novamente poucos tiveram informação sobre quão baratas elas estavam. Aqueles que puderam perceber as pechinchas garantiram fortunas para gerações de filhos, netos e bisnetos. Muitas das atuais fortunas norte-americanas ainda são frutos dessa época. E muitos norte-americanos continuaram aumentando seu patrimônio seguindo uma tradição já dos seus pais e avós: investindo em ações de boas empresas. Compreensivelmente, o evento de 1929 é mais lembrado pela crise que gerou mundo afora, do que pelas grandes fortunas que dali começaram e evoluiram até nossos dias.

Convém lembrar que em setembro de 2001, quando o maior ato de terrorismo já executado até hoje atingiu propositadamente as torres gêmeas do World Trade Center (note que a tradução é Centro de Negócios do Mundo), derrubando todo o coração financeiro de Wall Street e a Bolsa de Valores de Nova York, a queda das bolsas norte-americanas, assim como outras bolsas internacionais, não durou muito tempo. Coisa de um mês depois, os índices de ações já estavam novamente nos mesmos níveis de valor anteriores ao ataque.

A diferença é que muita informação hoje está ao alcance de todos! Movimentos de frenesi insensato de massa, como entusiasmo excessivo de compradores otimistas ou pânico de vendedores pessimistas, certamente ainda ocorrem, porém encontram mais cedo uma "barreira" constituida por uma quantidade crescente de investidores melhor informados sobre a economia mundial e a situação das empresas. A informação mais rápida e mais acessível tende a aumentar a capacidade de autoregulação ou correção nas distorções dos mercados financeiros!

A queda da Bolsa de setembro de 2001 só afetou quem vendeu seus ativos baratos no pânico das primeiras semanas após a catástrofe. Quem manteve suas posições por mais de um mês, no geral, saiu ileso. Porém, este fato, que deveria servir de contraponto ao trauma de 1929, poucas vezes é citado. É importante frisar que a histórica crise de 1929 teve ainda, como grandes vilões, estratégias governamentais inadequadas e equivocadas nos E.U.A. e em muitos outros países, como o protecionismo no comércio internacional, aperto monetário, restrições ao crédito, manipulações cambiais, além da óbvia limitação no acesso às informações pela maioria da população naquela era industrial.

Hoje estamos na Era da Informação!

Seria financeiramente interessante para alguns se perguntarem em que época estão vivendo, e procurar tirar proveito das vantagens que a tecnologia atual lhes proporciona, sendo que o futuro promete ainda mais, e ao menos procurar saber um pouco mais sobre o que estão deixando passar ao largo e desapercebido.

Muitas pessoas se amedrontam com as oscilações naturais da renda variável e superestimam o risco de investir em ações . É verdade que o valor de mercado vai oscilar bastante. É uma característica de todo negócio: existem períodos bons, assim como outros ruins ou simplesmente improdutivos. Comprar ações é comprar parte de um negócio. Um negócio próprio não vai lhe gerar cheques (salários) mensais fixos, mas sim diferentes margens em diferentes períodos - envolvendo lucros ou prejuizos.

As empresas, evidentemente, estão sujeitas a diferentes receitas no fechamento de cada balanço. O preço de suas ações é apenas reflexo das expectativas subjetivas sobre o desempenho da empresa. Quem compra acredita que o desempenho será superior, quem vende acredita que será inferior.

Ações não são nada parecidas a bilhetes de loteria.

Um matemático norte-americano, acadêmico e investidor em ações, já disse que jogar na loteria é pagar imposto sobre ignorância matemática. Quem joga ignora a reduzidíssima probabilidade matemática de ganhar, só assim paga esse “imposto”. As chances de ser premiado são tão irrisórias que não é atoa que a loteria é uma atividade tão restrita pela lei e usada pelo governo federal para seu próprio financiamento. Um telejornal brasileiro já observou que a probabilidade de acertar na mega-sena é tão pequena quanto a de atirar 22 vezes seguidas uma moeda e ela cair sempre com a mesma face voltada para cima! (E não se iluda se 22 vezes lhe parece pouco!)

Por outro lado, boas empresas freqüentemente crescem e se tornam mais sólidas. Com isso, todos os seus acionistas ganham, os empregados ganham, os consumidores ganham e o país todo ganha.

Ser sócio de algumas das maiores empresas do país (ou mesmo do mundo!) é mais fácil do que abrir um negócio próprio ou em sociedade com seu irmão, amigo ou cunhado. E envolve menos riscos e dores de cabeça! Já que mais da metade dos pequenos negócios, como bares, restaurantes, lojas, etc, costumam fechar antes de completar dois anos - depois de todo o investimento feito virar prejuizo!  O risco de investir em ações existe, como o risco de qualquer empreendimento, mas investir em ser sócio de uma grande empresa pode ser algo extremamente compensador e menos complicado.

Além do mais, ninguém vai “quebrar” experimentando investir uma quantia moderada em ações de empresas conhecidas. E só depois de experimentar, poderão de fato julgar algo que muitos temem sem qualquer conhecimento próprio ou experiência no assunto.

O investimento em ações, além de ser uma grande oportunidade de valorização do seu capital, também é uma boa maneira de fomentar e participar do crescimento da economia e do mercado de trabalho.

Quando os juros básicos do governo, políticas falhas ou mesmo a corrupção dificultam o investimento público sério em infra-estruturas e a captação de recursos pelas empresas, é o mercado secundário de Bolsa que incentiva as ofertas primárias de ações, viabilizando a capitalização e o desenvolvimento das empresas e do país através do investimento privado nosso!

O crescimento das empresas e da economia gera mais arrecadação para o tesouro e, conseqüentemente, mais verbas para o investimento em educação, infra-estrutura, saneamento e outros benefícios para todos.

Quem participa do mercado de ações tende também a se conscientizar mais econômica e politicamente, se tornando um cidadão mais participante e um consumidor mais ponderado e responsável (inclusive dando preferência a consumir produtos de empresas nacionais com capital aberto em bolsa, o que lhe permite uma participação nos lucros destas), assim como eleger políticos mais honestos, capazes e orientados para o desenvolvimento em geral - o que viabilizaria a maior ascensão das classes menos favorecidas da população, proporcionando assim uma melhor distribuição de renda e a formação de consumidores com maior poder aquisitivo em todo o país - garantindo portanto um mercado interno mais forte e menos vulnerável às políticas e a economia de fora.

 

*É importante observar que o texto acima se refere a investimentos no mercado a vista de ações, algo muito diferente do mercado a termo ou da especulção no mercado de opções (o qual surgiu na intenção de se hedgear ou proteger o valor de uma carteira, porém envolve sérios riscos para especuladores que procuram alavancar ganhos sem grande conhecimento deste mercado). Jamais comprem a termo ou negociem opções sem obter antes uma abrangente orientação e ter completa noção dos riscos que estes tipos de mercado envolvem.

Sebastião Buck Tocalino
12 de dezembro de 2006

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